Há poesia em cada dia! Hoje é

Onírica


Retomo a postagem de poemas no blog com um texto especial. O poema Onírica foi ilustrado por minha amiga Juliana Braga, que possui uma página no Facebook chamada Os desenhos de Juh. Espero que gostem do texto, da ilustração e passem para conferir a página dela. Há poesia em cada dia!

Marcos Blaque Juliana Braga Onírica há poesia
Marcos Blaque Juliana Braga Onírica há poesia

Adeus, Nilto Maciel


Há mais de um ano este blog está parado. Curiosamente, uma das últimas postagens é a resenha de um livro dele. Fiquei sabendo, hoje de manhã, da partida de meu amigo Nilto Maciel. Liguei imediatamente para o querido Pedro Salgueiro que, infelizmente, confirmou a notícia. Foi encontrado em casa sem vida quando amigos desconfiaram porque não compareceu a um evento literário que prometera participar.

Nilto era uma pessoa ímpar. Um homem generoso, de opiniões fortes, preocupado com a leitura, com a escrita e dono de uma literatura densa. Ficcionista brilhante que também enveredou pela tarefa de pesquisador e crítico literário com maestria. Como era bom ler seus textos, amigo Nilto. Não só os romances, os contos, as críticas, as crônicas, mas também seus e-mails ou mesmo suas atualizações no Facebook - que davam conta do quanto sua visão de mundo era cada dia mais arguta.

Nilto e as redes sociais. As redes sociais e os blogs que possibilitaram que, com amigos em comum, eu te encontrasse. Primeiro virtualmente, depois pessoalmente quando mudei para Fortaleza. Como era bom conversar contigo. E como ficava feliz quando conversava com Pedro e ele me dizia que você tinha tocado no meu nome e perguntado notícias - nos tempos corridos do começo de 2014, acabei por te ver menos do que deveria, amigo. Cabe aqui um enorme pedido irremediável de desculpas. Pagarei, diariamente, por este falta anterior com a saudade futura. Sobre a morte, não nos cabe mais nada a fazer.

O Monte Castelo acordou mais triste hoje. Fortaleza, Brasília, São Paulo e o Brasil estão mais tristes hoje. Eu só queria te dizer, usando as palavras, as companheiras máximas de sua vida, que vou sentir a sua falta e agradeço por tudo. Um abraço, amigo.


Do lado direito, de camisa cinza, Nilto Maciel em sua participação no I Simpósio de Literatura Cearense da Universidade Federal do Ceará (UFC), dezembro de 2013.
Foto: Marcos Blaque.

kintsukuroi


Um haicai para um dia frio em São Paulo:


kintsukuroi

consertar com ouro
os cacos fundamentais
mais belo tesouro

O olhar panorâmico de Nilto Maciel (Resenha)

Nilto Maciel Gregotins desaprendiz resenha ha poesia

Chegou em minha residência, há uns dois meses, o novo livro de crítica literária de Nilto Maciel e estava devendo uma justa resenha para a obra. Interessa-me sempre a forma de escrita de Nilto que, além de arguta e precisa, mantém uma característica tão importante e esquecida nos dias atuais: a visão do todo. Nilto é o crítico que por meio das minucias nos ensina a enxergar e perscrutar toda a cena literária e não apenas uma pequena parte dela.

Em um mundo de especialistas que cada vez mais conseguem enxergar apenas uma minúscula faceta de um assunto, Nilto tem a capacidade de sair do micro para o macro como não se vê em quase nenhum crítico dos dias de hoje. Este estilo de crítica literária, do qual o melhor exemplo é o canônico História concisa da literatura brasileira de Alfredo Bosi, não costuma ser escopo de grande parte da crítica porque a despeito de sua qualidade, ele configura uma empreitada trabalhosa demais e de grande fôlego intelectual.

O que vemos hoje na crítica literária é a crítica das minúcias: a análise de uma pequena tendência dentro de uma obra, obra esta inserida na vasta produção de um ator de um período literário mais amplo ainda. Estudos como o de Nilto - já feitos também pelo sobredito Bosi e outros nomes de igual fôlego intelectual como Antonio Candido e Sânzio de Azevedo - são raros e por isso ainda mais importantes e necessários.

Se o esforço crítico inicial em Panorama do Conto Cearense nos dá dados importantes em uma abordagem rápida de seu tema, mais bem trabalhado e cristalizado em Contistas do Ceará: D'A Quinzena ao Caos Portátil que funciona como uma edição completa do primeiro - uma espécie de história concisa do conto cearense -, agora em Gregotins de desaprendiz temos a maestria de quem já domina a exposição de um panorama e também o retratar de toda a cena literária de um período ou gênero e, sendo assim, mostra-nos tudo.

De forma concisa como em Panorama, mas com uma crítica tão apurada quanto a de Contistas, Nilto agora não passeia somente por seus conterrâneos, mas abre o leque para o cenário nacional: é a maturidade crítica de uma vida literária que hoje coroa Nilto Maciel com a facilidade no trato do texto e o olhar apurado para a crítica.

Sobre a obra:
Gregotins de desaprendiz
Nilto Maciel
Editora Bestiário

Memória e Reminiscência


O que o futuro reserva
àquele que a História preserva?
Parece pouco a pedra
gravada para o homem
plural.
Altar de pedra
para os doentes,
para os letrados e
para os iletrados
um refúgio do Reino.
A memória perdura
porque existe a lembrança.
A lembrança resiste
quando há quem a lembre
ou quando há quem
nos faça pelos seus olhos
viver, reviver e lembrar.

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