Há poesia em cada dia! Hoje é

Deturpação de Ode às suas mãos


Segue hoje, como prometido, o primeiro exercício de deturpação tradutória. Aproveitando um poema de Pablo Neruda, modifiquei o seu contexto, trai o seu significado e cheguei ao meu poema deturpado. Sempre que postar um destes exercícios, também passarei um link para o original, assim podem acompanhar quais foram as mudanças promovidas e fazerem os seus julgamentos do texto.

Deturpação de Ode às suas mãos
(poema original de Pablo Neruda, leia aqui)

Eu,
no nosso mercado
ou em um mar de mãos,
reconheceria
as suas
como duas Lavadeiras-mascaradas,
diferentes
entre todas as aves do Bosque:
voam entre as mãos,
migratórias,
navegam o ar,
morenas,
mas
voltam
para você,
ao meu lado,
pequenas, adormecidas, no meu peito.
Pequenos, grossos dedos
e nus,
translúcidos como esmeraldas,
andam
no ar
como eu,
seu fã,
como plumas do céu.

Com o pão e a soja se parecem,
ao trigo, aos municípios do sol,
ao shoyu, ao Boto-cinza
saltando
no caminho
do Mucuripe.
Suas mãos vão e vem
trabalhando,
distantes, tocando
violinos, assim
fazem fogo e água,
analisam a escrita condenando
a artificialidade de minha caligrafia,
decoram as paredes,
lavam (ocasionalmente) a roupa
e voltam para a sua
cor morena.

Por sorte,
vivo e nesta terra,
dormia e voava
sobre meu coração
este milagre.

0 comentários:

Postar um comentário

Traduzir / Translate

 

© Copyright Há poesia em cada dia . All Rights Reserved.

Designed by TemplateWorld and sponsored by SmashingMagazine

Blogger Template created by Deluxe Templates