Há poesia em cada dia! Hoje é

Aniversário de Fortaleza



Hoje a cidade de Fortaleza completa 286 anos de história. Acompanho de perto seus caminhos por volta de um ano apenas, mas com felicidade e carinho de filho adotivo que foi adotado e adotou esta terra. A postagem de hoje é diferente: um conto. Ele foi publicado originalmente no blog UNIVERSO MOREIRA CAMPOS que mantenho com o escritor e crítico Nilto Maciel - uma homenagem que fazemos ao grande contista cearense Moreira Campos. Como o conto homenageia o sobredito contista, porém também é uma espécie de passeio pela cidade, achei oportuno postá-lo aqui no dia de hoje.

Parabéns, Fortaleza Bela! São 286 anos de belezas incríveis! Há poesia em cada dia!


Anunciação

ha poesia iracema guardiã estátua
Foto: Marcos Blaque

Parado e de pé.
Pronto em frente ao início da Praça General Tibúrcio, seguindo a pedra portuguesa cravada no chão que marca a linha divisória dos trilhos dos antigos bondes. Leões a espreita. Um quase Laocoonte. Rangidos rugindo ao pisar no chão da praça. A primeira estátua. O General. A segunda estátua.
O fim de tudo, o fim da linha. Os trilhos não estão mais lá, mas continuam. Os trilhos seguem. Os trilhos seguem na direção da praia, sempre traçam a cidade feito caderno, feito esboço. Trilhos são linhas narrativas. A cidade vai se contando pelos trilhos, pelos passos. Os trancos e tropeços contam histórias, o seguir seco dos trilhos também.
O trilho segue a trilha da praia, segue a trilha das Pontes. Os trilhos se quebram nos pedaços da Ponte Metálica. O trilho não traça o mar, o mar traça os trilhos. Nas trilhas próprias do mar é que os trilhos são traçados, levados para o lado. Ponte dos Ingleses. Mar adentro e trilhos perdidos de novo. Mar outra vez. Se o trilho não traça o mar, lugar de trilhas é na areia. Arrasta, seca o trilho nas rochas e sai ziguezagueando na areia feito serpente, sibilando.
A trilha segue o som da Beira Mar. Os trilhos avançam pelos silvos arenosos e cercam o calçadão até uma composição circular bem conhecida. Os círculos protegem as rochas, as rochas protegem a praia, a praia é protegida pelo símbolo, a guardiã.
A guardiã. Altiva, circular. Toda a cidade é Iracema vista debaixo da estátua. Toda a Fortaleza é Iracema. Iracema não é mais América que é grande, Iracema é Fortaleza que é nossa, que alcançamos, que está ao toque de nossas mãos e sentimos sob nossos pés. A estátua gira, girando e do lado da estátua o avisto.
O velho Moreira Campos. Sempre o velho Moreira. Sempre com a figura já em idade avançada, o querido Moreira Campos. Sempre pesando no olhar a Fortaleza dos seus olhos. Sempre já um senhor. Tanto senhor dos dias como o foi senhor das palavras. Ali de pé. Prático, direto, tão franzino quanto forte. Franco. Moreira Campos.
E toca no meu ombro...

2 comentários:

Dilmar Gomes disse...

Bonito conto. Parabéns pela linda data!
Um abraço.

Marcos R. B. Lima disse...

Olá, Dilmar.

Aventurei-me por uma nova área, que bom que gostou!

Abraços.

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