Há poesia em cada dia! Hoje é

Fim do mundo ou Natal?


O mundo não acabou e então é tempo de comemorar o Natal. O ano de 2012 foi de muitas lutas, algumas perdas e também de conquistas.

Desejo a todos um tempo de reflexão porque refletindo aprendemos como fazer melhor para alcançarmos nossos sonhos - e nem precisamos esperar o ano novo para tanto, podemos começar desde agora.

Como disse um certo cantor cearense: "Enquanto houver espaço, corpo, tempo e algum modo de dizer não, eu canto" - ou como a inspiração deste blog diz, assim a poesia não cantará em vão.

Feliz Natal para todos! Há poesia em cada dia!


praça ferreira fortaleza árvore redes
Foto: Marcos Blaque

América


Percebo que venho mudando em algumas coisas a minha forma de escrever e ela vem pedindo outros recursos agregados. Andei realizando alguns desenhos e vou utilizar alguns deles para ilustrar determinados poemas.

Sim, eu desenho muito mal. Mas pensei comigo que muitas ilustrações de poetas não são lá grandes coisas, mas os fazem felizes e por isso eles as utilizavam em suas obras. Como as minhas também me fazem feliz (mesmo sendo feias), não tenho receio de usá-las. A primeira ilustração é um releitura da estátua Iracema Guardiã - situada na Praia de Iracema, Fortaleza.

Ao terminar, percebi um erro em relação ao que aparece na estátua: no meu desenho, ela aparece com a cabeça erguida e não abaixada. Um erro no desenho, um acerto no texto. Minha Iracema ergue o arco e não apenas o sustenta. Iracema é força. Espero que gostem do poema em prosa e não fiquem chocados com a imagem, rs:


América

Eu gosto de Iracema porque ela significa renúncia. Iracema significa o tipo mais bonito de renúncia, aquele em que não se perde ao renunciar, mas se ganha. Poucos compreendem o ato de se doar e assim ganhar tudo. Poucos entendem que entrega é lucro e avareza é prejuízo. Não penso em Iracema com pena - seja ela conotativa ou denotativa. Iracema é criatividade, sobrevivência e entrega. Ela nunca morreu, o mundo não suportou a sua doação sincera.

Iracema guardiã desenho Fortaleza
Desenho: Marcos Blaque

Fortaleza japonesa


Olá, amigos.

Estou criando uma subseção para a seção Viagem e ela se chamará Fortaleza japonesa. A ideia nasceu de uma visita ao Jardim Japonês localizado na cidade e o meu gosto pessoal por haicais. Eu já publicara anteriormente um haicai sobre este jardim e agora estendi para uma série. Fiquem com o segundo haicai logo abaixo. Há poesia em cada dia!



espaço reluz
as lanternas japonesas
mais Terra da Luz


Pequena epifania


Publicado originalmente no coletivo O Bule e agora aqui:


Pequena epifania

Certa manhã, ao despertar
de sonhos intranquilos”,
a manhã desnoiteceu
latindo sóis e sombras
enquanto almoçava o
desabrochar de uma pétala.
O som do sol
fazendo ruídos incompletos
e soando sem mim.
Assisti a manhã
em terceira pessoa
lavrando fogo e poesia.

Arquitetura do Som


Há poesia em cada dia, mas principalmente no dia 05, sempre. E o poema de hoje estreou mais cedo com outros lá n'O BULE. Fui convidado a postar neste blog que ano passado disputou comigo o Prêmio TopBlog. Agradeço desde já pelo convite e deixo abaixo o poema postado lá:


Arquitetura do Som

E no início foi o som.
E do som, tudo se formou.
Os fios entrelaçaram-se
numa trama tal, elétrica,
e trataram de conectar
cabo por cabo, caixa por caixa.

Caixa por caixa.
Paredes de madeira,
cubo acústico mágico,
a projeção do som
chegando e somando-se
aos fios do corpo central.

Aparelho. Aparelha-se o frontal
cromado, pronto em prata,
e a tampa colocada
com carinho. O som
impresso nas fitas
cassete tem destino.

Sai o som assim,
abafado e depois bem
limpo, leve e lúcido.
A música mais uma vez
é simples. O som eleva.
A música é um sempre mais.

O bonsai e a lua


jardim japonês ha poesia
Foto: Marcos Blaque

o bonsai e a lua
um novo cenário nô
a noite está nua?

Começa o TopBlog 2012!


Olá, pessoal!

Começa hoje a votação para o Prêmio TopBlog 2012 - maior premiação do gênero em nosso país! No ano passado fiquei em terceiro lugar, pela votação do Júri Acadêmico na categoria Literatura, e conto com a ajuda dos leitores novamente! Assim como no ano passado, a primeira fase é por voto popular. Para votar é só clicar no selo do prêmio que aparece no canto esquerdo do blog. Clicando você será redirecionado para a página do Prêmio, lá é só clicar em votar e seguir as instruções. Conto com a ajuda de todos para alçar voos mais altos nesta edição. Há poesia em cada dia!


top blog ha poesia
Clique na imagem para votar!
Há poesia em cada dia no Prêmio TopBlog!

Obra em conjunto


Obra em conjunto

Na intersecção do olhar
formo Fortaleza.
Um amálgama de
horizontes discretos.
Decomponho uma camada
com a vegetação verde,
passo para uma camada
arquitetônica – abóbada
religiosa e urbana –
e acabo no mar.
Tudo não acaba no mar?
Não.
Não em Fortaleza.
A história em Fortaleza
começa no mar.
A história em Fortaleza
começa no (a)mar.

Nova Ode ao Girassol


Nova Ode ao Girassol

Girassol
criança,
ainda
bebê, neném,
flor bela,
minha flor.
Impossível
não sentir
saudade
da Terra
da Luz.
Helianto.
Em Hélios
encontra
a força
pela espera
de nosso
encontro.
Encontra
luz,
paz,
paciência,
harmonia,
poesia.
Basta
Poesia?
Para
o amor
poesia só
não basta.
Basta o
Canto,
basta o
amor,
basta o
tanto, o
tanto
amar.
Amo
tanto
quanto
posso.
Amo o
espanto
que sinto
quando
vejo
e sinto
que amo
até o
seu pranto.
Amo
porque
ao final
do
pranto
voltam
as cores:
amarelo,
vermelho,
laranja...
Por isso
persisto,
resisto
fortaleço e
alcanço.
Alcanço
a poesia
cotidiana,
a poesia
de cada
dia
na beleza
de um
sorriso,
das pétalas
abertas
e na voz
doce.

A vida verde


Há poesia em cada dia volta depois de um período retomando a série Viagem. Vamos lá?!


A vida verde

A praça é um polo
da pluralidade.
Os gritos dos grandes,
dos pequenos,
a felicidade e a bondade
guardada nos gestos.
As plantas dos pés
nos gramados
pontuam o dia.

Aniversário de Fortaleza



Hoje a cidade de Fortaleza completa 286 anos de história. Acompanho de perto seus caminhos por volta de um ano apenas, mas com felicidade e carinho de filho adotivo que foi adotado e adotou esta terra. A postagem de hoje é diferente: um conto. Ele foi publicado originalmente no blog UNIVERSO MOREIRA CAMPOS que mantenho com o escritor e crítico Nilto Maciel - uma homenagem que fazemos ao grande contista cearense Moreira Campos. Como o conto homenageia o sobredito contista, porém também é uma espécie de passeio pela cidade, achei oportuno postá-lo aqui no dia de hoje.

Parabéns, Fortaleza Bela! São 286 anos de belezas incríveis! Há poesia em cada dia!


Anunciação

ha poesia iracema guardiã estátua
Foto: Marcos Blaque

Parado e de pé.
Pronto em frente ao início da Praça General Tibúrcio, seguindo a pedra portuguesa cravada no chão que marca a linha divisória dos trilhos dos antigos bondes. Leões a espreita. Um quase Laocoonte. Rangidos rugindo ao pisar no chão da praça. A primeira estátua. O General. A segunda estátua.
O fim de tudo, o fim da linha. Os trilhos não estão mais lá, mas continuam. Os trilhos seguem. Os trilhos seguem na direção da praia, sempre traçam a cidade feito caderno, feito esboço. Trilhos são linhas narrativas. A cidade vai se contando pelos trilhos, pelos passos. Os trancos e tropeços contam histórias, o seguir seco dos trilhos também.
O trilho segue a trilha da praia, segue a trilha das Pontes. Os trilhos se quebram nos pedaços da Ponte Metálica. O trilho não traça o mar, o mar traça os trilhos. Nas trilhas próprias do mar é que os trilhos são traçados, levados para o lado. Ponte dos Ingleses. Mar adentro e trilhos perdidos de novo. Mar outra vez. Se o trilho não traça o mar, lugar de trilhas é na areia. Arrasta, seca o trilho nas rochas e sai ziguezagueando na areia feito serpente, sibilando.
A trilha segue o som da Beira Mar. Os trilhos avançam pelos silvos arenosos e cercam o calçadão até uma composição circular bem conhecida. Os círculos protegem as rochas, as rochas protegem a praia, a praia é protegida pelo símbolo, a guardiã.
A guardiã. Altiva, circular. Toda a cidade é Iracema vista debaixo da estátua. Toda a Fortaleza é Iracema. Iracema não é mais América que é grande, Iracema é Fortaleza que é nossa, que alcançamos, que está ao toque de nossas mãos e sentimos sob nossos pés. A estátua gira, girando e do lado da estátua o avisto.
O velho Moreira Campos. Sempre o velho Moreira. Sempre com a figura já em idade avançada, o querido Moreira Campos. Sempre pesando no olhar a Fortaleza dos seus olhos. Sempre já um senhor. Tanto senhor dos dias como o foi senhor das palavras. Ali de pé. Prático, direto, tão franzino quanto forte. Franco. Moreira Campos.
E toca no meu ombro...

Rei do Sol



ha poesia praça dos leões praça general tibúrcio

Fotos: Marcos Blaque

Rei do Sol

Um leão a outro leão
respeita. Juntos, os leões
caminham, rugem,
surgem reis das ruas,
rodeando prédios,
circulando praças
e reinando, reinando
até no reino do sol.
Leão ruge de dor
sozinho e ruge de
alegria quando casal.
Leão só reina quando
a rainha junto está.

A Cruz Da Oswaldo (com Valcir Machado)


O texto de hoje é uma homenagem à Drogaria e Farmácia Oswaldo Cruz, quase centenária, localizada na cidade de Fortaleza - mais um poema da série Viagem. A Drogaria em questão esteve ameaçada de fechar e seu prédio ser descaracterizado, mas para alegria da história da cidade, o prédio foi tombado. Tenho o prazer de fazer uma postagem com participações mais do que especiais.

Na imagem do lado esquerdo, tenho o orgulho e a honra de compartilhar uma foto do Arquivo Nirez, gerenciado pelo grande historiador cearense Miguel Ângelo de Azevedo que encaminhou o pedido de tombamento para o departamento responsável. No lado direito, temos uma foto que tirei do mesmo local no último mês de fevereiro.

O poema em questão foi escrito em parceria com o escritor Valcir Machado que já participara aqui do blog com uma foto do Parque Ecológico do Cocó. Agora Valcir também cede as suas palavras no poema que juntos escrevemos. Espero que gostem!

drogaria oswaldo cruz ha poesia
(Lado esquerdo: Arquivo Nirez / Lado direito: Marcos Blaque)

A Cruz Da Oswaldo

O tempo não passa
Para a arquitetura sã
Cuja tarefa é manter o corpo são.

Mergulho em um tempo findo
De bancadas trabalhadas,
De cura manipulada,
De delicadezas, lindo...

Esperança na vitória do altruísmo.
Um sonho criado na fortaleza tua,
A certeza que perpetua
Esse remédio que cura o egoísmo.

Odor de mogno que encanta
Nos cristais dos painéis, reflexos sadios,
Era de um caridoso, o sonho
Que não mais será destruído.

É sua beleza o que mais importa.
A beleza do prédio, quimera,
A beleza da cura, do sorriso no rosto,
A beleza da cidade Fortaleza.

Canaliza ainda em teus portais
O sopro da nossa história,
Os ventos: ares imortais.

O Girassol que viaja


O Girassol que viaja

Carinho que viaja com força,
jornada em caixa,
esperando para brotar.
Tão logo a caixa abra,
uma peça registrará
a música do momento.
Mando um cartão,
quase postal, quase toscano,
tão partitura, tão particular,
tão pequeno – só
partícula de sentido.
Chegando o dia
tocará um raio em
Sol maior na Terra da Luz
e com mestrias e mesuras
medirá os símbolos.
Signo meu, signo teu:
significado e significante,
continente e conteúdo.

Outro Haicai

Este haicai já fora publicado lá no twitter @hapoesia, mas ainda não aqui no blog. Vamos lá!




poeta... ploft!
baixou o Bashô
na poesia (palavras)...

Os Girassóis da Literatura


Os Girassóis da Literatura

Cientes das Letras,
livres e selvagens,
ícones em si, procuram
calor e a claridade,
independente de cuidados:
aguardam sós e sóis.

Giram e girando
irradiam a sua natureza.
Refém da escuridão é quem
a despeito das Letras, não
somente sofre, mas também
sem perspectiva, esquece a luz.
Ornamento do jardim é a flor, a
luz do conhecimento é o infinito.

A Cinza das Horas

A Cinza das Horas

A Cinza das Horas
é um belo nome
para um livro de poemas.
Mas
A Cinza das Horas
também é um belo nome
para um crematório.
Crematório A Cinza das Horas.
A vida sobe
e desce a morte
por um elevador tétrico
num átimo, segundos,
e, em minutos,
anos são apagados,
átomos são reduzidos a pó.
Em um parque tão verde é
contrastante a chuva de cinzas
que cai cerzindo as horas
feito colcha e
cerceando os corpos
feito fogo.
A música toca e fico sem resposta.
Manuel Bandeira me diz para contar, trinta e três...

Haicais Interligados

Mais dois haicais - escritos de forma interligada e publicados anteriormente em @hapoesia:


O sol surge
sujo e cinza
por trás das nuvens.

*   *   *

O sol surge
santo e puro
por trás da chuva.

Há poesia no "apenas o necessário 2"

Saiu no começo desta semana o e-book apenas o necessário 2 da Editora Novitas! A obra reúne frases de vários autores que as postaram inicialmente no twitter. Estou lá nas páginas 31 e 32! Participei da primeira coletânea e agora a nova edição já está disponível para download gratuito! Parabéns a todos os autores que participam da publicação - em especial ao amigo Valcir Machado que já colaborou com o blog - e aos editores David Nobrega e Letícia L. Coelho! Há poesia em cada dia!




(Clique na imagem para ler o livro e fazer o download!)

Fabulário (com Felipe Lima)

Olá, amigos.

O poema de hoje conta com uma participação muito especial: a do meu amigo Felipe Lima. Felipe mora em Fortaleza, estuda Letras na UECE (Universidade Estadual do Ceará) e está no twitter com o perfil @feliplima. Foi uma grande alegria poder trabalhar este texto com ele, espero que gostem!


Fabulário

É lenda.
Remenda.
Refaz, inventa.
Aumenta.
Um conto, um ponto.
Toda história é eterna refazenda...

Novo Ano, Novo Há poesia!

Olá, amigos.

Tudo novo por aqui, tudo! Para começar, um novo layout, uma nova cara para o Há poesia em cada dia que vocês já conheciam e espero que aprovem a mudança!


Outra novidade é que dobraremos o número de postagens: duas por semana! Muitas outras surpresas ainda virão e tenho certeza de que aqueles que acompanham o blog ficarão satisfeitos ao perceber que ele continua o mesmo espaço dedicado para a literatura, mas com muitas melhorias! Aos poucos, vou contando todas as novidades!

Abraços! Há poesia em cada dia!

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