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Meu avô, 1993


Meu avô, 1993

para meu avô, Cristovam
(Poema originalmente publicado na Revista Novitas 9, jan/fev 2011)

Meu avô morto
ainda vive em uma
fotografia lá de casa.
Meu avô morto
costumava ficar fincado
em uma parede,
em estilo retrato,
10X15 e também 3X4,
observando a sua casa.
Após a dor, o substrato
de sua presença
ainda habita a casa,
mas o retrato não habita mais.
A gaveta de fotos
antigas virou o descanso
final do artefato.
Meu avô morto,
espanhol de sangue,
brasileiro de fato,
tal qual Monalisa, sem sorriso,
tristeza ou olhar caricato,
continua a nos encarar,
olhos como os do Chê de Korda,
não-sorriso da Gioconda de Da Vinci,
semblante de uma criança de Cartier-Bresson,
Descobridor-Avô a quem sou grato,
permanece olhando nos meus olhos,
sob o fundo azul dos antigos retratistas,
e eu respondo o olhar. Estupefato.


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