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O Soneto

A forma que nunca morre (ou a fôrma da perfeita forma como diria Guilherme de Almeida):

O Soneto

Do alto do primeiro decassílabo
de um soneto nos observam séculos,
observam-nos escritores ao cabo
do dias (borboletas nos casulos).

Camões, Dante, Shakespeare, Vinicius
de Moraes... mestres em seus quartetos
e tercetos nos mostram indícios
da voz lírica (arte do Soneto).

Uma voz soa bem, som natural,
soa mesmo sem contar as sílabas
ou tentando parecer casual.

O soneto precisa de dúvidas,
luz para não ser artificial.
O soneto: metáfora das vidas.

Os pescadores

Continuando a série de sonetos em homenagem a Itanhaém - que já conta com Mulheres de Areia e Lobo:


Os pescadores
para Alfredo Volpi

Quadro: vista sem horário,
indeterminado,
um azul amplo, primário,
veleiro içado...

Sinta o sol portuário,
sol imperceptível,
guarda do mar santuário,
vida perecível...

Mas surgem linhas tão fortes
que turvam a vista,
negras, as linhas sem sorte:

Os famintos pescadores,
amigos da morte,
das dores... trabalhadores!

"Pescadores", 1939/40 (detalhe) - coleção Museu de Arte Moderna de São Paulo

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