Há poesia em cada dia! Hoje é

Mais esdrúxulos

Alguns personagens esdrúxulos, alguns haicais esdrúxulos:


Mandela


Pássaro pacífico,
híbrido, único...
étnico!

Sócrates

Célebre xícara,
cálice fatídico que
findou o Acadêmico.

Dionisíaco

Mármore cálido
e pagão. Telúricas
vinícolas báquicas.

Alfazemas

Um poema escrito há muito tempo. Tempo agora bem distante, simples: menos crítico, mais ingênuo.


Alfazemas

Trago de volta a rua
que é jardim. Vejo ao
longe as Alfazemas brotando,
cor em dor, como o jardim
da juventude que um dia
foi minha e hoje não é.

O perfume das flores sobe
inebriando e mostrando o tom.
Livre do jardim de concreto,
a Alfazema foge, mas
ainda presa ao mundo das
convenções e responsabilidades.

Feitas para o jardim foram
as Alfazemas formadas e
desta forma foram crescendo
como cálices de primavera.
As Alfazemas são tradicionais,
fortes e seguras de si.

A Alfazema acordou mudada.
O perfume arrefeceu diante
do inexorável. As pétalas
acenavam a mudança de
estação. Findava a primavera.
A Alfazema mudou de lar.

Desafio Nacional

Há poesia no Desafio Nacional? Há. Logo que fiquei sabendo do projeto, por intermédio do twitter, decidi aderir por alguns motivos que explicarei aqui. Primeiramente porque podemos observar a notória diferença de tratamento das editoras com os autores nacionais e estrangeiros. Os grandes conglomerados editoriais pouco dão espaço para os nossos autores consagrados, quanto mais para os novos, e as editoras pequenas que brigam por espaço para os novos autores são desprezadas pelas livrarias. O fato é preocupante para a literatura contemporânea em geral por vários motivos:

1. Todos os autores têm dificuldades para publicar as suas obras;
2. Nem sempre os melhores autores são publicados. Conheço autores que possuem dois, três livros publicados e, sinceramente, estão tomando espaço de escritores mais gabaritados e que não são publicados. O ideal seria uma gama maior de publicações para que pudéssemos ter um leque de opções.

A situação é ainda mais grave quando falamos de poesia. Algumas editoras sequer aceitam analisar livros de poemas e fecham sumariamente o mercado para este gênero literário essencial. A literatura brasileira ainda engatinha e precisamos ajudá-la a cada vez mais dar frutos. O Projeto Desafio Nacional conta com um blog e uma página no twitter, entrem e apoiem a nossa literatura!

Ode ao cavanhaque

Sou adepto...


Ode ao cavanhaque


Deus deu aos homens
uma vantagem natural:
poder burilar a criação
com barbas diversas.
O imberbe mostra asseio,
mas falta-lhe atitude.
A imoralidade de um bigode
burla as regras do bom senso.
Prefiro o cavanhaque.
O cavanhaque exige doação,
paciência, precisão e disciplina.
O cavanhaque é trabalho de
um artífice, molda-se o rosto
e aparam-se as arestas.
Formatei a dignidade do meu
rosto no formato quadrado
de um cavanhaque.
O cavanhaque é a moldura
que destaca o detalhe,
convoca a vocação,
define os desígnios.

Espanhocano

Espanha e Pernambuco, Dulcineia e Lampião, Quixote e Maria Bonita, mãe e pai... eu:


Espanhocano

Meu avô cunhou para mim
um adjetivo pátrio.
Neologismo, fruto de duas
culturas diferentes – nasceu
a palavra espanhocano.

Fala alto o sangue
quente,
a voz,
a sensualidade,
a explosão,
a força,
a fúria.
A Espanha lateja em minhas veias.

Fala alto o sangue
quente,
a pronúncia,
a fidelidade,
a resignação,
a resistência,
a perseverança.
Pernambuco está enraizado no meu caráter.

Palavra pura, espanhocano,
forjada em sangue e fogo,
fruto de mãe espanhola e
fruto de pai pernambucano,
fruto do gênio de meu avô.

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