Há poesia em cada dia! Hoje é

Balanço e Ano Novo!

Olá pessoal,

Agora estamos muito perto de 2011 e, como prometi, farei um balanço sobre o Há Poesia em cada dia no ano de 2010. O resultado: ótimo (felizmente, rs)!

O ano de 2010 foi um tanto quanto atribulado para mim em várias áreas, mas certamente aqui ele foi muito bom. O blog me trouxe muitas e muitas alegrias neste ano. Em 2009, pouco mais de 50% das postagens tinham algum comentário, agora temos mais de 85% das postagens comentadas!

As visitas nacionais aumentaram absurdamente e nem consigo medir o quanto porque agora tenho visitas dos quatro cantos do país! As visitas internacionais mais que dobraram! Em 2009, o blog já tinha visitas de Canadá e EUA. Agora temos muitos mais países! Tenho visitas constantes dos EUA e de nossos irmãos portugueses - que já são o segundo país que mais acessa o blog, só perdendo para nós brasileiros! Também recebo visitas do Reino Unido, Itália, Espanha, Suíça, Argentina, Holanda e mais esporadicamente de alguns outros países como Rússia, Grécia, Colômbia, Argentina, Angola entre outros.

O twitter @hapoesia, criado no ínicio de 2010 como uma extensão do blog, já conta com mais de 500 seguidores e alguns dos meus aforismos de lá foram selecionados pela Editora Novitas para a publicação do e-book Apenas o necessário. Além disso, um texto que postei para o concurso da Bienal do Livro de São Paulo foi publicado no livro Microcontos, da Blog Books, com patrocínio do Governo do Estado de São Paulo, da Organização Poiesis, do movimento ETC e da Fundação Volkswagen - mais uma importantíssima conquista.

Agradeço a todos que visitaram o blog em 2010 com comentários ou apenas lendo os poemas. O blog entrará em recesso agora em janeiro e voltará no início de fevereiro com algumas novidades. Refleti bastante sobre o papel do blog e tenho uma nova contribuição para os leitores que começará a aparecer já no início de 2011. Enfim: Há poesia em cada dia!

Feliz, próspero e literário 2011 para todos!
Abraços!

Feliz, Feliz Natal!

Olá, pessoal!

Considero o Natal como o feriado mais representativo do ano e gostaria de desejar a todos os leitores do blog: Um ótimo Natal! Na próxima postagem, a última do ano, farei um balanço sobre os dados do Há poesia em cada dia em 2010 e anunciarei algumas novidades para 2011. Despeço-me agora reiterando os meus votos.

Novamente,
Feliz Natal!

Azul

Aí vai:


Azul

Nublado.
Manhã fria.
Manhã chuvosa.
Horda de carros
pretos,
brancos,
cinzas,
muitos cinzas.
Não adianta o dia estar acinzentado,
o tempo nublado,
a chuva,
a luva,
o guarda-chuva...
Você está azul.
Você está azul e isto basta.
As gotas de chuva
molham e embaçam
os vidros
mostrando os mosaicos escondidos.
Mas você está azul.
Você brilha azul e isto basta.
A simplicidade opaca de seu azul também basta.

Microcontos

Olá, pessoal!


Informo com muita alegria a minha participação em mais uma publicação - e desta vez em uma publicação impressa! Durante a última Bienal do Livro de São Paulo foi feito um concurso de microcontos pelo twitter, patrocinado pela Fundação Volkswagen, e o primeiro lugar ganhou um baú repleto de livros. Não fiquei em primeiro lugar, mas todos os participantes tiveram seus microcontos reunidos e publicados em livro, organizado por José Luiz Goldfarb e contando com o (micro)prefácio de Marcelino Freire!

Na semana passada, recebi a notícia pelo perfil @ETC_Sampa sobre o lançamento que aconteceria na Livraria Cultura Arte do Conjunto Nacional, no sábado (11/12). Ganhei o livro como cortesia por ser participante, mas quem quiser pode comprá-lo pelo site da Editora Singular. Confira o meu microconto, ele está na página 47 - postado pelo perfil @hapoesia. Parece que, no futuro, a obra também estará disponível para download gratuito, mas por enquanto você podem comprá-lo clicando na capa abaixo (o preço é acessível, apenas R$ 9,99 e vale muito a pena):

Compre aqui (Clique na imagem do livro)!

Memória

Um poema-piada:


Memória


Queria escrever sobre...
Para que fosse...
Dizendo que...
Naturalmente é...
Visto anteriormente...
Simbolizado os...
Por meio deste...
Certamente foi...
Enfim...
Esqueci.

Geografia

Todos temos a nossa:



Geografia


Pés

(Infância) Poucas,

restam algumas.

Poucas.


Joelhos

(07 aos 13 anos)

Cobertos, não tive

joelhos. Repletos.


Pernas

(10 anos) Corte,

perna esquerda.

Pedaço de aço.


Mãos

(16 anos) Direita: Do início

do polegar até a unha.

Cachorro, mordida.


(11 anos) Esquerda: Dedo médio,

formato em “V”. Latão,

vassoura de piaçava.


Rosto

(07 anos) Lado esquerdo,

testa. Corte,

telha enferrujada.


(25 anos) Circular,

em torno do cabelo.

Varicela.


Coração

(04 anos) Primeira paixão...

(17 anos) Primeira desilusão...

(20 anos) Primeiro amor...

Bossa Nova

Privilégio de ouvir o maestro:



Bossa Nova

para Tom Jobim


Antonio era Passarim,

mas não Passarim pequeno,

Passarim Grande.

Antonio era gaivota,

marinha e máxima,

mansa e maiúscula,

sonora e sensível.

Antonio caminhava em ondas

como o deslizar insinuante

do ritmo ondulado da calçada

da Praia de Copacabana.

Quando caminhava, chapéu

na cabeça, óculos no rosto,

charuto e sorriso nos lábios,

ecoando na brisa marítima.

Pianista de Hamelin, atraía

as jovens crianças para

o mundo da Bossa...

Não

Momentos de reflexão geram diferentes coisas. Por vezes, poemas:


Não

Não se pode ser nerudiano sem uma boina...
Não se pode ser drummondiano sem óculos...
Não se pode ser oswaldiano sem gravata borboleta...
Não se pode ser gullariano sem uma vasta cabeleira...

Não se pode ser camoniano com dois olhos.

Não se pode ser pessoano sem um bigode...
Não se pode ser viniciano sem uísque...

Não se pode ser borgeano sem uma bengala...
Mas também não se pode ser borgeano com a visão.

E também não se pode ser poeta apenas com versos amontoados.

Não se pode ser poeta sem uma língua.
O poeta cria uma nova linguagem com a língua antiga.
O poeta cria uma nova poética com a linguagem nova.
Não se pode ser poeta sem a poesia.

Essências

Quem realmente somos?


Essências


O tempo passa
e nós mudamos,
sempre mudamos.
Mas sempre voltamos.
Não importa o quanto mudamos,
sempre somos nós.
Isto é imutável.
É física.
E físico.
Físico cada vez que nos
olhamos no espelho,
a máquina do tempo.
Só o tempo manda,
Só ele devora.
O tempo passa
e nós mudamos.
Mas sempre voltamos.
Não importa o quanto mudamos,
somos nós sempre.

Bandeira brasileira

Bandeira brasileira
para Alfredo Volpi

Nossas matas não são verde bandeira.
Nosso verde é sujo, impuro.
Verde espalhado e sem rumo.
Cor que progride sem ordem na bandeira.

Nada de losango!
Losango não é forma brasileira!
Nosso ouro é uma banana
amarela, fruta brasileira!

Nosso céu também é impuro.
Nosso céu é Brasil miscigenado.
Um retângulo mal recortado
que corta os sonhos do povo.

Nosso círculo é preto e branco,
ferido ao meio por nossas raças.
No lugar das estrelas, uma bandeira
branca, beija e balança!


"Bandeira brasileira", s/data - coleção Banco Central do Brasil

Ação Interna

E aí vai:


Ação Interna


Meu coração é isolado
por máscaras. Uso luvas
cirúrgicas para o seu amor,
cheio de “não me toques”.

Recanto Risonho (Abertura)

O soneto a seguir será o de abertura para a série já começada:


Recanto Risonho (Abertura)


Angulus Ridet: Recanto Risonho!
A sentença em latim no brasão
da cidade resume a ilusão
que vivemos nesta terra de sonho!

Recanto mais puro do litoral
paulista: tuas sempre cristalinas
águas que ofuscam as nossas retinas
com um brilho singular, sem igual.

Mas Itanhaém não é natureza
apenas. Cidade de personagens
fortes, mas de grande delicadeza.

Veremos textos que evocam imagens
importantes e de grande beleza.
Prontos para as próximas viagens?

Acuidade

Sem mais:


Acuidade

Você me vê, mas não me enxerga.
A sua retina,
entre o rubro e o violáceo,
tirou-me do foco.

Você se move com o ritmo,
eu acompanho os compassos.

O ritmo exige a atuação,
o compasso exige a audição.

Você me enxerga, mas não me vê.
A sua rotina,
entre o rubro e o violáceo,
tirou-me do roteiro.

Você vive o momento,
eu espero o imponderável.

O momento exige entrega,
o imponderável exige ser cauto.

Você me vê e me enxerga.
A sua neblina,
entre o rubro e o violáceo,
é que não vê e não enxerga.

Três Haicais

Faz algum tempo que não posto haicais aqui. Aí vão mais três - o segundo é um esdrúxulo híbrido:


Haicai melancólico

Te amo.
Por vezes
até dói.

Crítica Pós-Moderna

Romance pictórico – como
câmera fotográfica:
Prólogo ou Epílogo?

E se...


E se a eternidade fosse uma rua
pela qual andássemos sem nunca
chegarmos ao fim?

Linguística

A força das palavras:


Linguística


Só é possível filosofar em alemão,
Mas é possível poetizar em todas as línguas.
Poetizar depende das palavras e
Todo idioma possui palavras pedras.
Palavras pedras podem ser preciosas.
O português possui uma pedra típica
Como os diamantes das Minas:
A palavra saudade, palavra dura,
Cortante e impactante.
O espanhol possui dois rubis,
Irmãos gêmeos que são a chave
De um labirinto espiritual:
A fórmula espejo / reflejo,
Rima infinita e forte.
Gosto também das palavras
Usadas para o mar.
O mar português,
La mer francesa,
Il mare italiano,
The sea inglês...
Mas o mar em verdade é grego.
O mar é uma esmeralda mitológica
De poderes e marulhos infinitos.
O mar é thálassa,
Mar da Odisseia grega.
Pará thina polyphlóisboio thalásses*!


* Verso de Homero

Blog Day, 31/08!

Há poesia na livre expressão, há poesia em possuir um blog. Os blogs são um meio de expressão maravilhoso e democratizaram o acesso ao saber literário. Qualquer um pode escrever e qualquer um pode ler e dar a sua opinião crítica sobre um texto. Neste espírito, o Há poesia em cada dia entra hoje no Blog Day!

O Blog Day é uma iniciativa internacional. Comemorado sempre no dia 31/08, pela semelhança que estas letras teriam com os números desta data (B 3) (l 1) (o 0) (g 8), ele convida os blogueiros a fazer uma postagem e indicar cinco blogs interessantes criando uma espécie de rede da blogosfera para que todos conheçam novos endereços e aumentem a corrente.
Como autor do Há poesia em cada dia, tenho o orgulho de indicar alguns blogs que eu considero de extrema importância e que sempre visito. Aí vão os meus cinco indicados:


1. Cultura Grátis em SP: O Cultura é um blog muito interessante porque publica eventos gratuitos, ou quase, que acontecem na grande São Paulo - sempre com artistas e locais renomados. Sempre encontro alguma opção boa por lá, visito constantemente.

2. Redoma de Cristal: Residência da blogueira Bianca Briones. Digo com satisfação que ela faz parte de uma equipe que reuni para um outro projeto - chamado Gaveta da Crônica. Conheci a Bianca através do twitter e a sua capacidade, expressa por meio de sua prosa e de seus poemas no Redoma, chamou a minha atenção e foi o motivo para convidá-la para o Gaveta.

3. Peramblogando: O que você quer saber? Por que a seleção da Itália usa azul e a da Holanda usa laranja? Frases antológicas de Armando Nogueira, Fernando Pessoa, Jack Sparrow? Discos importantes na história da música? Tirinhas de domingo? Vila Sésamo? Cubo Mágico? Vídeos interessantes? Peramblogando é tudo isso e muito mais, cultura útil e inútil para o nosso cotidiano.

4. Tudo-IN: Para entender o nome do blog, vocês devem visitá-lo e ler sobre a sua proposta. O blog é administrado por Claudia Giacummo, formada em economia e administração. Claudia usa o espaço para dividir as suas experiências como mãe de um garoto com síndrome de Down. O blog é um espaço bem consciente e repleto de dicas sobre o assunto. Muito bom!!!

5. Paisagens da Crítica: Administrado pelo professor Julio Pimentel Pinto, do Departamento de História da FFLCH/USP, o blog reúne resenhas dos lançamentos literários mais recentes com análises muito coerentes. Julio sempre responde os comentários e muitas vezes as postagens tornam-se um espaço para o debate sobre a produção literária contemporânea.


Espero que apreciem as indicações!!! Feliz Blog Day 2010!

"Apenas o Necessário"!

Olá pessoal,

Informo com muita alegria a publicação do e-book Apenas o necessário, da Editora Novitas, do qual faço parte! Expliquei em uma
postagem anterior que fui selecionado em um concurso juntamente com outros 37 autores que integrariam esta antologia de aforismos publicados no twitter. Como o livro é gratuito, posso disponibilizá-lo aqui para vocês fazerem o download! Os meus aforismos aparecem na página 33, mas leiam o livro todo: vale a pena! Coloco o link abaixo e também aviso que ele ficará disponível no blog, do lado esquerdo do seu monitor, logo acima dos Textos anteriores. Abaixo postarei também uma foto com todos os autores da publicação. Aí vai:

Download Gratuito (Clique na imagem do livro)!


Autores do e-book Apenas o necessário !

A cama

Primeiramente, gostaria de agradecer a todos que comentaram aqui ontem - dia do meu aniversário. Agora mais um soneto de uma série que cada vez mais ganha corpo, Recanto Risonho:


A cama
para José de Anchieta

Pensar em versos é uma tarefa
fácil para quem tem erudição?
Talvez fosse esta a sensação
do homem virtuoso que não blefa.

Mas não Anchieta, padre poeta,
que conhecia as dificuldades
do verso, dos sermões e das verdades
sacras – aquelas que o mal não afeta.

O Padre Anchieta descobriu
uma cama talhada pelo mar
na rocha que uma onda partiu.

Quando cansado de tanto rezar
procurava descanso na rochosa
cama da cidade que foi seu lar.

A ponte

Continuando a série Recanto Risonho - sobre a cidade de Itanhaém:


A ponte
para Sertório Domiciano da Silva

Vai flutuando no esquecimento
o barqueiro do Hades. Só Caronte
rema e não enlouquece defronte
do rio de lágrimas e lamento.

O velho Sertório, o tabacudo,
um caiçara de uma terra distante,
olha, rema e aproveita o instante:
sempre usando a alma como escudo.

Rios diferentes. Itanhaém
manso e vivido; Aqueronte,
mítico, cuja fama o mantém

vivo como o óbolo de Caronte.
Mas Caronte é apenas caminho,
Sertório é mais – ele é a ponte.

O Soneto

A forma que nunca morre (ou a fôrma da perfeita forma como diria Guilherme de Almeida):

O Soneto

Do alto do primeiro decassílabo
de um soneto nos observam séculos,
observam-nos escritores ao cabo
do dias (borboletas nos casulos).

Camões, Dante, Shakespeare, Vinicius
de Moraes... mestres em seus quartetos
e tercetos nos mostram indícios
da voz lírica (arte do Soneto).

Uma voz soa bem, som natural,
soa mesmo sem contar as sílabas
ou tentando parecer casual.

O soneto precisa de dúvidas,
luz para não ser artificial.
O soneto: metáfora das vidas.

Os pescadores

Continuando a série de sonetos em homenagem a Itanhaém - que já conta com Mulheres de Areia e Lobo:


Os pescadores
para Alfredo Volpi

Quadro: vista sem horário,
indeterminado,
um azul amplo, primário,
veleiro içado...

Sinta o sol portuário,
sol imperceptível,
guarda do mar santuário,
vida perecível...

Mas surgem linhas tão fortes
que turvam a vista,
negras, as linhas sem sorte:

Os famintos pescadores,
amigos da morte,
das dores... trabalhadores!

"Pescadores", 1939/40 (detalhe) - coleção Museu de Arte Moderna de São Paulo

Sara o mar, mago!

Em tempo:


Sara o mar, mago!

“Não há uma língua portuguesa, há línguas em português.” – José Saramago

Sara o mar, mago!
Sara o mar da língua,
pois cada escritor vivo
é uma ilha desconhecida
com histórias inesgotáveis
precisando de águas turvas
para a navegação.

Sara o mar, mago!
Sara, pois o escritor
não expira com a morte,
oculta-se como a Atlântida
e torna-se um tesouro,
um continente afundado
em palavras e encoberto
nas páginas das obras
e nas suas leituras.

Sara o mar, mago!
Sara o mar português,
resignado, lúcido, intermitente,
mas nunca dissoluto.

Sara o mar, mago!
Sara porque o mar
é como uma flor
ou como um objeto,
quase memória, quase homem,
duplicado em suas ondas.

Sara o mar, mago!
Todos os nomes não
são suficientes para
a pátria, a pátria,
como já sabe
qualquer pessoa,
é a nossa língua,
portuguesa.

Apenas o necessário

Olá pessoal,

Para aqueles que acompanham o Há poesia em TWITTER (@hapoesia) não é surpresa que esporadicamente utilizo aquela ferramenta para publicar alguns aforismos.

Há pouco tempo, a Editora Novitas realizou um concurso chamado Apenas o necessário. O presente concurso consistia em participar com frases postadas no twitter que traduzissem a importância de falarmos muito com poucos caracteres. O prêmio para os vencedores é a publicação de uma antologia em forma de E-book que contará com o tratamento de um livro - até mesmo com ficha catalográfica e ISBN. A distribuição do E-book será gratuita.

Enviei algumas frases que postei no perfil do @hapoesia e tive a notícia pelo blog da editora que fui um dos 37 autores escolhidos para este projeto! Veja a lista completa abaixo em:

Agora coloco aqui as mensagens que enviei para a editora e que serão publicadas no E-book. Assim que for informado de mais detalhes, aviso vocês novamente. Espero que também gostem das frases!
  • O #twitter é o primo moderno do #haicai. Ele nos obriga a ser concisos e precisos. Modernidade é retornar ao tradicional. #hapoesia
  • A descoberta é uma flor que desabrocha, mas também é um punhal que dilacera. #hapoesia
  • A lua cheia não tem metade de sua beleza. #hapoesia
  • Nunca precisei da bebida. A vida me embriaga mais que o vinho. #hapoesia
  • Incomunicável, estava pronto apenas para o diálogo interior. #hapoesia

Hospitalar Comédia

Acredito que a mistura de sensações seja essa...


Hospitalar Comédia

Congelado nas cores frias,
o hospital é um círculo dantesco.
Gélido, o ambiente hospitalar é
enregelado tal qual a Judeca.

Aguardamos na sala de espera,
expiando os nossos pecados puros,
refrigerados por um verde sanitário
e um conjunto de brancos árticos.

Esquimós: presos em nossa punição,
procurando falhas e classificando cores
inexistentes para os espectros paralelos.

Pertencemos ao círculo dos traidores,
traímos a nossa própria existência:
possuídos pelos nossos pacientes!

Mais esdrúxulos

Alguns personagens esdrúxulos, alguns haicais esdrúxulos:


Mandela


Pássaro pacífico,
híbrido, único...
étnico!

Sócrates

Célebre xícara,
cálice fatídico que
findou o Acadêmico.

Dionisíaco

Mármore cálido
e pagão. Telúricas
vinícolas báquicas.

Alfazemas

Um poema escrito há muito tempo. Tempo agora bem distante, simples: menos crítico, mais ingênuo.


Alfazemas

Trago de volta a rua
que é jardim. Vejo ao
longe as Alfazemas brotando,
cor em dor, como o jardim
da juventude que um dia
foi minha e hoje não é.

O perfume das flores sobe
inebriando e mostrando o tom.
Livre do jardim de concreto,
a Alfazema foge, mas
ainda presa ao mundo das
convenções e responsabilidades.

Feitas para o jardim foram
as Alfazemas formadas e
desta forma foram crescendo
como cálices de primavera.
As Alfazemas são tradicionais,
fortes e seguras de si.

A Alfazema acordou mudada.
O perfume arrefeceu diante
do inexorável. As pétalas
acenavam a mudança de
estação. Findava a primavera.
A Alfazema mudou de lar.

Desafio Nacional

Há poesia no Desafio Nacional? Há. Logo que fiquei sabendo do projeto, por intermédio do twitter, decidi aderir por alguns motivos que explicarei aqui. Primeiramente porque podemos observar a notória diferença de tratamento das editoras com os autores nacionais e estrangeiros. Os grandes conglomerados editoriais pouco dão espaço para os nossos autores consagrados, quanto mais para os novos, e as editoras pequenas que brigam por espaço para os novos autores são desprezadas pelas livrarias. O fato é preocupante para a literatura contemporânea em geral por vários motivos:

1. Todos os autores têm dificuldades para publicar as suas obras;
2. Nem sempre os melhores autores são publicados. Conheço autores que possuem dois, três livros publicados e, sinceramente, estão tomando espaço de escritores mais gabaritados e que não são publicados. O ideal seria uma gama maior de publicações para que pudéssemos ter um leque de opções.

A situação é ainda mais grave quando falamos de poesia. Algumas editoras sequer aceitam analisar livros de poemas e fecham sumariamente o mercado para este gênero literário essencial. A literatura brasileira ainda engatinha e precisamos ajudá-la a cada vez mais dar frutos. O Projeto Desafio Nacional conta com um blog e uma página no twitter, entrem e apoiem a nossa literatura!

Ode ao cavanhaque

Sou adepto...


Ode ao cavanhaque


Deus deu aos homens
uma vantagem natural:
poder burilar a criação
com barbas diversas.
O imberbe mostra asseio,
mas falta-lhe atitude.
A imoralidade de um bigode
burla as regras do bom senso.
Prefiro o cavanhaque.
O cavanhaque exige doação,
paciência, precisão e disciplina.
O cavanhaque é trabalho de
um artífice, molda-se o rosto
e aparam-se as arestas.
Formatei a dignidade do meu
rosto no formato quadrado
de um cavanhaque.
O cavanhaque é a moldura
que destaca o detalhe,
convoca a vocação,
define os desígnios.

Espanhocano

Espanha e Pernambuco, Dulcineia e Lampião, Quixote e Maria Bonita, mãe e pai... eu:


Espanhocano

Meu avô cunhou para mim
um adjetivo pátrio.
Neologismo, fruto de duas
culturas diferentes – nasceu
a palavra espanhocano.

Fala alto o sangue
quente,
a voz,
a sensualidade,
a explosão,
a força,
a fúria.
A Espanha lateja em minhas veias.

Fala alto o sangue
quente,
a pronúncia,
a fidelidade,
a resignação,
a resistência,
a perseverança.
Pernambuco está enraizado no meu caráter.

Palavra pura, espanhocano,
forjada em sangue e fogo,
fruto de mãe espanhola e
fruto de pai pernambucano,
fruto do gênio de meu avô.

O papel do poeta

Um autor não tem distanciamento suficiente para julgar a sua obra, mas acredito que este poema é um dos mais significativos que já escrevi - espero que também gostem:


O papel do poeta


Escondo-me ou me escondo ou ainda esconder-me-ia
atrás da poesia. Pode ser que eu também me esconda
ou esconda-me ou esconder-me-ei atrás do que não sei.
As palavras são várias, o léxico, o dicionário é infinito.

A imensidão da língua é labirinto e guardo um lugar,
Especial, entre os verbetes para a minha indecisão.
Atropelo os vocábulos precisos e procuro a poesia
Em busca de uma palavra para o meu novo nome.

Já tenho um nome, seis letras, não é Severino,
que é grande e tão pouco é o meu de pia –
é de registro mesmo. Mas não posso existir,
nome é coisa de autor e autor é coisa da realidade.

Autor existe enquanto vive, texto existe enquanto é lido.
Perdi meu nome, meu nome agora é eu lírico.
Pela eternidade: ele poema, tu leitor,
eu lírico.

Descobrimento revisitado

Sem mais. O texto fala por si:


Descobrimento revisitado

Quem descobriu o Brasil?
Cabral.
João Cabral de Melo Neto.

Selos da Blogosfera

Olá pessoal,


Confesso, não que vivi como Neruda, mas confesso. Eu sabia que existiam, porém não entendia muito bem como funcionava a relação de selos existentes na blogosfera. Força do hábito de ser escritor blogeiro e receber os meus primeiros selos fizeram com que eu aprendesse sobre o assunto.

Criei uma página apenas para colocar os selos que ganhei. Ela fica na guia "Sobre o Blog", primeira do lado direito da página, e lá vocês podem conferir os dez selos que ganhei. Os selos foram ofertados ao blog pela Bianca Briones do "Redoma de Cristal". Desde já os meus agradecimentos a ela. Alguns deles vieram com regras, não obrigatórias, entretanto não pude me furtar da cortesia de cumpri-las. Aqui vão as respostas:

1. Por que você acha que mereceu esse selinho?
Acho que o selo é fruto da poesia e da resiliência. As duas são pilares do blog e fico muito feliz sabendo que sou lido e que as pessoas gostam do conteúdo. O texto não se realiza sem o leitor.


2. Na sua opinião, qual post de seu blog é mais merecedor de um prêmio?
A pergunta soa, inicialmente, como um soco no estômago (rs). Escolher um texto é não escolher outros e isso é sempre difícil quando falamos de poesia. Não consigo escolher apenas um texto que eu gosto, então vou colocar alguns e os leitores decidirão qual mais lhes agrada. Gosto muito de Pequena história de Pablo Neruda - homenagem ao poeta chileno -, Olhos de Ressaca - soneto que nasceu de uma brincadeira séria com o capítulo 55 de Dom Casmurro -, O garoto de Prata - soneto em que presto homenagem para um genial aluno inclusivo que tive a oportunidade de conhecer - e Balada do Andarilho da Lua - homenagem póstuma ao Rei do Pop, Michael Jackson.

3.Do blog que te indicou, o que mais te agrada? Ele merecia o Blog de Ouro?
O "Redoma de Cristal" foi uma feliz descoberta. No ato de retuitar mensagens, descobri o perfil da Bianca Briones e gostei muito do blog, então a adicionei no Twitter e passei a acompanhar os seus textos. O "Redoma de Cristal" é um feliz exemplo do que a liberdade e gratuidade da blogosfera pode nos ofertar: textos de qualidade como o de autores consagrados e publicados. Merece o Blog de Ouro? Merece.

Agora a novidade:

Movido pelos selos, criei um selo para o meu blog! Agora também posso reconhecer de maneira efetiva os blogs que admiro e que também trabalham com a poesia. Vejam o selo abaixo:


Começo então ofertando os selos que ganhei (podem retirar as imagens no link) e o meu selo para cinco blogs que acompanho:

1. Redoma de Cristal: Motivos sobreditos;

2. Cultura Grátis em SP: Sempre um bom evento cultural, muitas vezes literário, em destaque;

3. Seres Coletivos: Sinceramente, no mínimo, um conceito interessantíssimo de motivação para ter um blog;

4. Peramblogando: Cultura inútil que é útil e cultura útil que não é inútil;

5. Paisagens da Crítica: Talvez as melhores resenhas que já li. Júlio é muito consciente.

Agradeço a todos!

Lusofonia

Brasil, Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné Bissau, São Tomé e Príncipe, Timor Leste. Aí vai:


Lusofonia

Abra a boca devagar e deguste as
metáforas, delicadamente,
percorrendo o meu corpo com a língua
portuguesa em suaves movimentos
linguísticos e pragmáticos.

Olhe para mim com este seu modo
subjuntivo de ser e impere,
indique o meu modo correto de ser
e estar. O estado de minhas ações
é ligado ao amor: fenômeno da natureza!

Venha e eu defloro a sua Flor
do Lácio, única e derradeira,
portuguesa, africana, asiática
ou ainda a bela flor brasileira,
fetichista, acorrentada ao léxico.

Aniversário do Blog e Johnny Alf

No último dia 21/03, o blog Há poesia em cada dia completou um ano de existência. Não comentei nada porque achei que a postagem sobre o Glauco merecia mais atenção naquele dado momento, mas é com grande felicidade que retomo esta data tão importante. Um ano em que há poesia em cada dia - muitos, com a benção divina, ainda virão.

Hoje, faço aqui a minha homenagem ao precursor da Bossa Nova: Johnny Alf. O pianista influenciou os grandes nomes da Bossa como Tom Jobim, Carlos Lyra, Roberto Menescal entre outros. Morreu aos oitenta anos, infelizmente, só e parcialmente esquecido pela mídia. Mas não seria certo chorar por Alf, não por ele que nos deu tanta alegria. Por você Alf, alegria sempre!


Elegia alegre a Johnny Alf

Melodia com muita Bossa
retirou do sério piano
tocando diverso, dançante
e triste – do Jazz foi amante.
Johnny Alf: um rapaz de bem.

Criou uma música nossa,
mas com timbre americano,
aproveitando a vertente
brasileira tão iminente.
Johnny Alf: um rapaz de bem.

Balbuciando bons mosaicos,
cantando com alegria e dor,
foi Alfredo José da Silva
mais que um simples bom cantor.
Johnny Alf, um rapaz de bem,
eis que, sozinho, morre sim
aos oitenta anos, enfim
o símbolo da perfeição: o
8 sendo infinito, o
0 que nunca vai ter fim.

Glauco

Há poesia em cada dia? Há. Mesmo que os dias sejam difíceis, há. Mas também há poesia nas imagens. Duas brutais vítimas da violência em 2010: o brilhante cartunista Glauco e seu filho Raoni. Novos e cheios de vida, 53 e 25 anos respectivamente. Elaborei uma série de releituras de alguns personagens que mais gosto para usar no colégio em que leciono como forma de conscientizar os alunos sobre o vazio - como a tocante homenagem da Folha de S. Paulo - que a falta de Glauco irá causar.

Minhas releituras, bem imperfeitas, representam alguns personagens do universo de Glauco, mas que foram feitos com as técnicas que melhor domino. Todos os desenhos foram feitos com grafite 0.5mm e em folha de sulfite tamanho A4. Prepararei mais algumas releituras e quando estiverem prontas colocarei aqui. Espero que gostem:


Nojinsk


Casal Neuras
Faquinha

Escrita

Aproveitando um presente e fazendo as coisas do modo antigo: papel e grafite.


Escrita

Escrevo na mesa:
primeiro grafite,
lapiseira japonesa.

Dia Internacional da Mulher!

Olá pessoal,

Venho falar hoje mais especificamente com o público feminino. Um blog de poesia não poderia se furtar da responsabilidade de louvar o Dia Internacional da Mulher tendo em vista que os temas amorosos são o principal objeto da lírica. Como o cotidiano está movimentado, não consegui tempo para escrever nada novo este ano e vou utilizar um haicai que postei no ano passado - e que acredito mostrar parte da essência feminina. Feliz Dia Internacional da Mulher para todas!


Mulher, primavera do mundo,
és um turbilhão de estações
ao longo de um mesmo dia.

8,8 graus

Primeiro o Haiti e agora o Chile. Nossa solidariedade:


8,8 graus

Chile.
Chile de Neruda.
Pátria – não minha, mas querida.
Es
ti
ca
da
e
a
lon
ga
da
pela América.
Pátria de Páscoa.
Valente ainda que trema.
Forte ainda que caia.
Alegre ainda que chore.
Nosso coração Paulista
também sentiu a sua dor.
E ainda dói.
Chile.

Bodas de Prata

Como diria Cazuza, "o tempo não para (agora, infelizmente, sem acento)"...


Bodas de Prata

Bodas de Prata
são vinte e cinco
anos de vida
compartilhada.

Bodas de Prata
é uma festa
de casamento,
um ritual.

Bodas de Prata
é a passagem
do tempo pelos
olhos atentos.

Bodas de Prata
são vinte e cinco
anos, casado,
eu com a vida.

Reis

A observação do cotidiano e dos movimentos rotineiros é carregada de objetos interessantes.


Reis


O primeiro golpe é leve,
cheio de ternura.
O segundo ainda é calmo,
quase imperceptível.
Mas a sucessão de
afrontas continua e muda
o ritmo dos próximos golpes.
Rápidos, desferidos com
precisão e fobia, deixam-na
nua.
Nua e no chão,
para ser guardada,
empacotada.
Mais uma vez.
Mais uma vez,
sob o signo de Janeiro,
ela tomba. Desfeita,
desnudada. Assim tomba
a última Árvore de Natal.

Lobo

Mais um texto em homenagem aos personagens que de alguma forma fizeram parte da história de Itanhaém. O personagem a seguir não só fez parte da história da cidade, bem como também fez parte da infância de muitos: Carlos Miranda, o Vigilante Rodoviário.


Lobo

para Carlos Miranda

Já fui Rei, mas hoje sou animal.
Brasileiro! Televisores vivos
na memória trazem ilustrativos
vigilantes da estrada nacional.

Atuava um certo Carlos Miranda,
ator iluminado, companheiro
dedicado que foi fiel parceiro
deste canino que conta e anda.

Conto e afirmo: fiz a minha parte.
As motocicletas firmes no chão
ajudam e revelam a missão.

Assim como a vida imita a Arte,
vejamos o seriado diário:
nosso Vigilante Rodoviário!

Balada do Andarilho da Lua

Assisti ao documentário "This is It" no Dia de Finados do ano passado. Anteriormente, nunca tinha visto um filme ser aplaudido de pé por todos presentes na sala de cinema. Uma pequena homenagem:


Balada do Andarilho da Lua
para Michael Jackson

A curva lunar acentua
o tempo leve pelo espaço,
negrobranco, segue e flutua
a dança ritual e o passo
desliza firme pela lua,
inversamente, e o errante
espírito jovem situa
tua brilhante alma viajante.

Criaste uma Terra, rua
de sonho, pueril pedaço
da infância que só recua
o tempo pro Nunca: fracasso
dos homens, inútil pra sua
genialidade marcante,
o tempo é a fortuna nua –
ser torturante e elegante.

Mas a verdade pura, crua,
é que a vida passa um traço
entre as pessoas. Atua
com força mudando o compasso
dos homens. Ela continua
dura, jornada consciente,
vil e injusta, mas perpetua
nossa vertente mais valente.

Antes que a balada conclua,
agradeço sim ao contente
homem, Andarilho da Lua,
por me fazer resiliente.

Há poesia em 2010!

Olá,

Já estamos em 2010! Um ótimo ano para todos e, como prometido, estou retomando o blog com força total e novidades. A primeira delas é a criação do Twitter do Há poesia em cada dia! Agora vocês podem me seguir em:

O twitter contará com as atualizações que fizer aqui e alguns aforismos e ideias que poderão até virar poemas mais tarde e parar no Blog. Agora pretendo mais do que nunca manter o ritmo das postagens. Amanhã postarei o primeiro poema de 2010.

Abraços.

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