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Ode à Lágrima

Um dia acordei com vontade de escrever algo diferente de tudo que eu escrevera até aquele dia. Pensei em escrever algo de grande extensão. Pensei então em uma ode: nada mais livre e de maior fluidez do que uma ode. Assim nasceu o texto.




ODE À LÁGRIMA

Para a furtiva que
se escapa
de seus olhos
dedico estas
palavras. Ao puro
rio que transcende
seu corpo
brotando de sua visão
para que nossas vistas
vejam seu
ímpeto.

Tão límpida é
a água de suas
nascentes a
ponto de limpar
não só a seu
corpo como ao meu,
fatigado, e
também a
minha alma.
Suas cascatas
limpariam as
manchas
e redimiriam
as imperfeições
dos mundos.

A maior parte
do corpo:
água.
A parte maior
do mundo:
água.
Tua parte principal:
amor.
Amor intrínseco
ao elemento que
perpetuas.
De ti saem
as lágrimas
da vida:
originam
novos seres
e restabelecem
ordens naturais.

Escapa
mais outra.
Pequena, ágil
vai correndo
por sobre a
fronte,
ultrapassa
a divisa
do pescoço
e desliza
por sobre
o macio
colo. O
mundo está
presente na
viagem deste
pequeno
átomo em
sua cruzada
pelo
oásis
moreno
de teu
corpo.

Não a
derrames
por mim.
Que suas
lágrimas não
semeiem a
terra por
minha causa.

Mínima
unidade
transbordante
de força,
lágrima de
amor, lágrima
do meu amor,
renove a
cada gota a
força de minha amada.
Ajude, sagrado
líquido vital,
a perpetuar
suas virtudes,
preserve o
poder de seu
caráter: sustenha
o amor de
que é formada.

Invocação ao poeta

INVOCAÇÃO AO POETA

Dou-te a mão poeta:
Ajude um simples leitor
a ser contemplado com a força macrocósmica
do poema como forma de amor,
como forma de alento aos
sentimentos do homem.

Que eu tenha a sua consciência paradoxal:
A que concentra, ao mesmo tempo,
a dicotomia da leveza e da intensidade,
do amor e da luta,
do nascimento e da guerra,
do ápice e da consumação.

Assim componho meu humilde canto:
Para tanto, recolho pequenos fragmentos
de minha identidade e pequenas lembranças
de minha amada. Ela também, por vezes,
mostra-se ausente e seus olhos também
parecem voar pelo ar.

Começo a enunciá-la:
Seus cabelos negros, sua pele
morena, pele da cor da minha terra.
Seus olhos – muitas vezes marejados –
estão sempre a cercar-me com
suas preocupações, com seus cuidados.

A sombra dela vigia por mim:
Ao me observar, observas a si própria, pois
sei que tu já sou eu e que eu sou,
certamente, parte de ti. Pensamos
de forma igual, mas também diversa
(somos partes diferentes de um mesmo todo).

Meu singelo pedido:
Que ela permaneça em mim,
ainda que um dia se vá. Ainda que
o tempo afaste, ainda que a memória falte.
Porque o livro está escrito e
os livros se escrevem com beijos
*.

* Tradução de um verso de Pablo Neruda.

Mulher

O Dia das Mães vem aí. Nunca escrevi nenhum poema para as mães ou para a minha mãe em específico - acho até que sou muito relaxado já que minha mãe merecia algo do gênero. Já escrevi uma crônica, mas não me lembro de nenhum poema. No ano passado, escrevi um haicai para outra data comemorativa envolvendo o sexo feminino: O Dia Internacional da Mulher.

Imprimi o poema e entreguei como uma pequena homenagem para as mulheres que conheço:


Mulher, primavera do mundo,
és um turbilhão de estações
ao longo de um mesmo dia
.

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