Há poesia em cada dia! Hoje é

A virada está chegando...

Olá pessoal,

2010 está bem perto agora... será bom? Ruim? Igual? Não sei, será 2010 e pronto. Que seja o melhor 2010 que todos nós poderíamos desejar. Mais uma vez agradeço a todos que passaram por aqui em 2009. O blog ficará parado em janeiro e voltará em fevereiro com força total. Durante o recesso, pretendo ajeitar algumas pendências que tenho e escrever mais. Espero que a virada seja ótima para todos.

Abraços.

Fábulas

Originalmente estes haicais seriam esdrúxulos híbridos, mas a sua materialização saiu de forma diferente. Aí vão os dois:


Fábula 1

Educar em trânsito
com a característica
Moral da história.

Fábula 2

Moral helênica
da ética viva que a
História fundou.

Feliz Natal!!!

Olá pessoal,


Gostaria de desejar a todos que acompanharam o blog - ativamente e com comentários ou aqueles que só deram uma passadinha - um ótimo Natal! Estou muito feliz com a minha empreitada e por ter conseguido manter um ritmo bom de postagens. Chegamos ao final de 2009 e o blog ainda não completou um ano, mas já tive muitas alegrias! Mais da metade das postagens possuem algum comentário das pessoas que apreciaram os textos e o blog já conta com visitas internacionais: EUA e Canadá. Prometo manter a constância das postagens para o próximo ano.


Mais uma vez,
Feliz Natal!!!

Declaração essencial de amor infinito

O final do ano é uma época propícia para amenidades. Aí vai mais um poema-piada ao estilo oswaldiano. Abraços.


Declaração essencial de amor infinito


... te amo...

Távola

Esdrúxulos - um dos primeiros que escrevi:


Távola

círculo alegórico mítico,
arquitetônico. Épico
exército romântico místico...

Eu não estou bom

Simples assim, bruto assim, com um tom de piada ironicamente amarga:


Eu não estou bom

Eu não estou bom.
Deixei o inexorável
otimismo guardado no
bolso da calça que eu
coloquei para lavar.
Eu não estou bom.
Perdi a disposição,
no meio do caminho,
enquanto voltava
para a minha casa.
Eu não estou bom.
Esqueci as piadas
no banco do ônibus
e quando desci, percebi
que estava vazio, vazio.
Eu não estou bom.
Fui engolido pelo cotidiano,
massacrado pela rotina,
torturado pelas repetições e
julgado pelas circunstâncias.

E sim, eu não estou bom
(porque bem,
eu até que estou).

Reações

Olá pessoal,


Agora o blog também conta com o recurso das reações. Abaixo das postagens vocês vão encontrar três quadrinhos com os seguintes dizeres: ótimo, mediano e indiferente. Clicando uma vez dentro destas caixas, você já deixará a sua opinião registrada sobre aquele poema - de uma forma bem rápida.

A opção não exclui os comentários que eram feitos anteriormente (podem continuar escrevendo e eu responderei sempre).


Abraços.

Meu primeiro poema concreto


Há muitos anos, quando eu ainda era um adolescente, encantei-me pelo grupo concretista. Alguma coisa ali chamava a minha atenção, mesmo que ainda tivesse uma opinião em formação sobre os irmãos Campos e seu amigo Décio Pignatari. Nesta mesma época, comecei a escrever algumas coisas que achava parecidas com o Concretismo - em sua maioria eram caligramas, mesmo que não época eu não soubesse disso. O único poema desta época que ainda guardo é o que segue agora. Postá-lo aqui é quase uma brincadeira. Ele é o retrato de anos simples, inocentes e ainda sem consciência artística. Pura fruição. Aí vai - como foi escrito em minha adolescência:

Poeta

Esdrúxulos (híbridos) - e não me canso de escrevê-los...


Poeta

Artífice marginal
do léxico. Capítulo
melancólico da vida.

Lágrimas

Lágrimas. Tão fáceis para alguns e tão difíceis para outros. Aí vai:


LÁGRIMAS

Todas as vezes que chorei
não o fiz com lágrimas, mas
sim com tinta. E assim derramei
lágrimas e lágrimas de tinta
sobre folhas e maços de papel.
A substância tornou-se parte
das palavras e as palavras
parte do meu canto.

Esdrúxulos novamente

Mais dois esdrúxulos híbridos. Como sempre, fico esperando a opinião de vocês! Abraços.


Música acústica

A balada rítmica
leve, pura e harmônica
que ecoa onírica.


matemática esdrúxula

o ângulo dos tercetos
não equivale a
equilátera verdade.

Para a Amada que viaja

Olá pessoal,


Vou aumentar o ritmo de postagens do blog. Agora que as mudanças de layout já foram feitas e a maioria dos recursos estão adicionados, vou postar com uma frequência um pouco maior. Aqui vai um texto bem recente, espero que gostem:



Para a Amada que viaja


Para a Amada que viaja

voando, de ponta em pontos,

vem, pé ante pé, vindo

pelas vozes puras da poesia.


Para a Amada que viaja

vendo o novo voo, agora sem

gaivota, e vislumbrando o mundo.

O voo antigo era mais vistoso.


Para a Amada que viaja

vendo as diferenças da

memória e juntando as ideias

e a passagem do tempo.


Para a Amada que viaja

porque também quer voltar

para casa, com velocidade,

e em vasto voo aterrissar.

Blog de cara nova!

Olá pessoal,


O blog está de cara nova! Espero que gostem porque achei que ele ficou mais funcional para a navegação de vocês e muito mais bonito! No final da página temos até um pequeno sofá para descansarmos.

Nos próximos dias teremos mais novidades que estão guardadas na minha manga e textos novos que vão refletir experiências que pretendo compartilhar com vocês.

Outra novidade, que já passa a funcionar agora, é a coluna "Formas poéticas". Lembram das "Seções poéticas"? As "Seções poéticas" separam os poemas no que se refere ao conteúdo e as "Formas poéticas" separam as formas fixas utilizadas nos poemas. Agora teremos agrupados os sonetos, os haicais entre outros.

Espero que tenham gostado da mudança e fiquem atentos com as novidades que seguirão nos próximos dias.


Abraços e até mais.

Últimos comentários...


Olá pessoal,


Nova funcionalidade! Abaixo de "Seções Poéticas" vocês encontram a nova função: "Últimos comentários..." - que mostra, como o próprio nome diz, os últimos comentários postados no blog.


Sempre estarão lá os quatro últimos comentários. Agora vocês podem ter uma prévia do que foi comentado - e de quais textos foram comentados recentemente - antes de entrar na área designada aos comentários.

Até mais e abraços.

Poética Confessional


Dia dos professores: parabéns a todos os meus colegas! Parabéns a todos os que lutam, trabalham, pensam, planejam, replanejam, ensinam...


POÉTICA CONFESSIONAL

Faço versos e planejo aulas.
Difícil tarefa a de
poetizar complementos e
subordinar versos.

Em qual bolso,
no de poeta ou de educador,
se escondeu o meu tempo?

ABC da Literatura


Acho que o título já diz tudo. O poema é curto, mas é fruto de uma reflexão que levou algum tempo para tomar forma. Espero que gostem:



ABC DA LITERATURA

Edgar Allan Poe, 1849.
Mario de Sá Carneiro, 1916.
Vladimir Maiakóvski, 1930.
Florbela Espanca, 1930.
Federico García Lorca, 1936.
Pablo Neruda, 1973.
Ana Cristina Cesar, 1983.

Os artistas são os para-raios da raça...

O garoto de Prata


O poema de hoje é um dos meus preferidos. Gosto muito dele porque é dedicado a um aluno meu - uma pessoa muito especial em todos os sentidos.
Para você, grande Dante:


O GAROTO DE PRATA

A vida é um eterno regresso.
Esperamos acertar o caminho
para casa. Dante espera sozinho
a flecha de Bauru: O Expresso

de Prata – correndo como raposa.
Raposa ou loba? Loba, floresta...
Lembramos de Dante, vasto poeta
de Florença – a cidade formosa

da qual foi separado. Mas o nosso
Dante, garoto que é, abre o baú
da imaginação para voltar

para casa. Mostra que também posso
conhecer o que vai nos ensinar:
Nosso caminho para Bauru.

Seções Poéticas...


Olá pessoal,


Com o intuito de sempre melhorar a navegação no blog, eu acrescentei mais uma ferramenta: as Seções Poéticas. Agora vocês podem escolher os poemas que querem ler por categorias. A ferramenta fica no lado esquerdo do blog, abaixo da minha lista de Blogs preferidos.



Acho que explicando as seções ficará mais claro:


Esdrúxulos: todos os haicais feitos total ou parcialmente com palavras proparoxítonas;
Galeria: poemas com apelo visual;
Generalidades: poemas sem uma categoria específica que foram agrupados com este nome;
Informações Gerais: tópicos, como este, em que dou informações sobre a estrutura do blog;
Recanto Risonho: poemas dedicados para a cidade de Itanhaém.


Estas são as seções iniciais, mas sempre que precisar criarei outras.
Até mais.

Haroldo de Campos - Pharoldiando


Quando falamos de evolução, no âmbito literário, não queremos dizer substituição do velho pelo novo. Queremos afirmar que, a partir da produção até o presente momento, determinado autor consegue criar, como afirma Décio Pignatari, novos modelos de sensibilidade a partir dos modelos existentes.

Neste quesito, todos nós temos uma enorme dívida com Haroldo de Campos. Haroldo foi o nosso Odisseu, o nosso Fausto, o nosso Bloom e, claro, o nosso Haroldo.

Nunca esquecerei da primeira vez que li um trecho de "Galáxias", do primeiro livro que comprei de Haroldo (uma antologia), da primeira vez que ouvi a voz do poeta no CD "Isto não é um livro de viagem" ou ainda da derradeira notícia de sua morte que acompanhei pelos jornais.

Aí vai um singelo agradecimento ao grande navegante da nossa literatura e crítica literária - aproveitando o tema de um dos seus mais famosos poemas:


Pharoldiando

______... se

nasce________ morre

remorre______ renasce ?

Esdrúxulos híbridos


Postei anteriormente alguns poemas que chamo de esdrúxulos - haicais compostos de palavras proparoxítonas. Também fiz alguns esdrúxulos híbridos que misturam outras palavras com as esdrúxulas. Abaixo vão dois: o primeiro é a continuação da série Política e o segundo trata de uma obra clássica da literatura universal.

Política 3
A busca frenética
do poder metafórico
pelo “democrático”.

Iago
Pérfido triângulo:
A pálida Desdêmona
e o crédulo bárbaro.

Verde




VERDE

Arrisquei um verso sinestésico.
Ao te ver, senti um inefável
gosto verde em minha boca.
Não sei se foi bem empregado,
mas fez aparecer seu sorriso.

Um sorriso verde relva...

Perfume verde,
afável,
doce,
delicado,
meigo,
místico,
singelo,
suave
indizível,
inexprimível,
inescrutável,
indesbotável.

Seu gosto não fica insípido,
sua imagem não perde o contorno,
a verde forma. Seu aroma não perde
o verde odor. O tempo não consegue
desverdear suas veredas e raízes verdes,
sua forma de semente, de planta, de flor, de rosa,
de cálice, de fogo, de fumaça,
de água,
de mulher.


Dom Casmurro


Clássico
.

Segundo o dicionário da Academia Brasileira de Letras é uma obra artística que serve de modelo, uma obra exemplar. Machado de Assis é certamente um marco em nossa literatura. A qualidade dele é inegável e realmente exemplar.

Acredito que um clássico é aquele que, a cada leitura, revela uma nova faceta que não tínhamos percebido anteriormente, ou seja, o clássico renova-se sempre. Ele tem tanta informação estética que parece uma fotografia que a cada momento revela um detalhe diferente para o qual não tínhamos atentado antes.


Estava relendo Dom Casmurro estes dias e me prendi em um capítulo altamente metalinguístico. Quem não lembra, deve reler o capítulo 55 "Um soneto". No seminário, o narrador Bento Santiago, que teve a iluminação de um verso inicial e trabalhou para obter um verso final, também conseguido, não teve inspiração para terminar a ideia de um soneto que surgiu durante uma noite de insônia. Sua inspiração ficou perdida.

Agora veja o que ele diz no último parágrafo deste capítulo:


"Trabalhei em vão, busquei, catei, esperei, não vieram os versos. Pelo tempo adiante escrevi algumas páginas em prosa, e agora estou compondo esta narração, não achando maior dificuldade que escrever, bem ou mal. Pois, senhores, nada me consola daquele soneto que não fiz. Mas, como eu creio que os sonetos existem feitos, como as odes e os dramas, e as demais obras de arte, por uma razão de ordem metafísica, dou esses dous versos ao primeiro desocupado que os quiser. Ao domingo, ou se estiver chovendo, ou na roça, em qualquer ocasião de lazer, pode tentar ver se o soneto sai. Tudo é dar-lhe uma ideia e encher o centro que falta."


Pois bem, Sr. Bento Santiago. Dobrei a fórmula do seu primeiro verso e usei as duas versões do seu verso final. O Senhor achou um desocupado e aí vai o meu (nosso) soneto:



OLHOS DE RESSACA
para Bento Santiago

Oh! flor do céu! oh! flor cândida e pura!
Será que vale a agrura? Chorar
A dúvida sacra, aquela dura,
Que nos impede de poder falar...

Será que temos tanta esperança
Na vida que não vemos a muralha?
Perdidos noutro tempo e na vingança:
Perde-se a vida, ganha-se a batalha!

Oh! flor do céu! oh! flor cândida e pura!
Desocupado, escrevo uma dor
Nossa, oblíqua, sem nenhuma cura...

Será esta a lição que não falha?
Aprender que no soneto e no amor:
Ganha-se a vida, perde-se a batalha!


Novidades nos comentários

Olá pessoal,

Estou muito feliz hoje porque fiquei fuçando nas funcionalidades do Blogger até cansar e consegui um meio de liberar as postagens de pessoas que não tenham cadastro em algum serviço de blog ou nas contas do Google.

Deste modo, pude repassar para a página do blog alguns comentários de pessoas muito queridas que não conseguiam escrever - e quando tentavam, as mensagens eram repassadas para mim por e-mail.

Agora é só clicar no tópico, escrever a sua mensagem, selecionar, na caixa "Comentar como", a opção "Nome/URL" e pronto, basta escrever o seu nome e o comentário será enviado. Responderei todas as postagens antigas. Obrigado pelo carinho!

Abraços.

Mulheres de Areia

Aqueles que conhecem a cidade de Itanhaém sabem que, entre a Praia do Sonhos e a Praia dos Pescadores, existe a estátua de uma mulher - alusão ao período em que a extinta Tupi gravou naquele lugar a primeira versão da novela "Mulheres de Areia". A escultura é um dos pontos turísticos da cidade e atrai muitas pessoas durante a temporada de férias. Gosto muito deste lugar e há algum tempo tinha a intenção de escrever algo. Demorou, mas escrevi um soneto e o dediquei ao ator/artista Serafim Gonzales (autor da escultura e ator da novela). Aí vai:


MULHERES DE AREIA
para Serafim Gonzales

Incrustado na rocha permanece
vivo o metal. Forte, ele mantém
a forma de mulher – Itanhaém,
recanto risonho, que o mar conhece.

O trabalho artesanal dos homens
muda a matéria: antes areia,
agora Arte. O marulho passeia
agradecendo pelas homenagens.

Impetuosas ondas que rebatem
sobre a rocha tentam destruir
esta imagem que o olhar detém.

Mas a grande mestria, não em vão,
trabalhou forte para construir
a mulher fincada no nosso chão.

Blog e "poema-piada"

Olá amigos,

Estava em falta com o blog. Tive alguns problemas de saúde e, juntamente com o acúmulo de tarefas ao final de um semestre, fiquei algum tempo sem postar, mas agora prometo manter a regularidade dos primeiros meses.
Mudando de assunto: agora que conheço bem a plataforma do blogger, posso identificar pontos positivos e negativos. A forma fácil e rápida de configuração é um forte do Blogger. Mas ele peca por não permitir que qualquer pessoa faça comentário no blog - a menos que ela também possua um blog nesta ou em outra plataforma. Recebi vários e-mails de comentários que deveriam ir para ao blog, porém não puderam por causa deste problema.

Algo para ser considerado, mas que ainda não consegui encontrar solução.

Mudando de assunto novamente: o poema a seguir é um pequeno "poema-piada" que fiz para uma amiga há algum tempo. Sempre brincávamos com uma bolsa de marca famosa que ela possuía. A brincadeira gerou este pequeno poema. Apenas uma brincadeira, divirtam-se:


A ROSA (QUE NÃO É CHÁ)
A rosa, que não é Chá,
é difícil de achar.
É tônica, atômica,
é difícil de murchar.

Pequeno canto ao mar

Um dos livros de Neruda que mais gosto é La rosa separada - uma homenagem do poeta para a Ilha de Páscoa. Sempre achei interessante a estrutura do livro, com partes falando sobre os homens e sobre a ilha. Tentei fazer algo parecido (em menor escala, claro).
O texto vai abaixo:





PEQUENO CANTO AO MAR


El mar
El mar... yo... mi amada... mi sueño...

O mar e a mulher
As tranças do mar se
alongam praia adentro
para nos tomar o chão.
Retiram, de grão em grão,
o nosso equilíbrio.
Assim como o
mar és tu. O sublime
motivo da minha
ausência de juízo.
Tu retiras
de meus pés
o piso da razão.

El mar
Las olas... las caracolas... el campanario escogido...

O mar e os seus elementos
Eterna reviravolta incessante.
Grande força que dá e
toma seus presentes. Oprime
e embeleza a pequena
extensão que nos sustem.
Compartilhe mais uma
vez conosco de tua grandeza,
de teu marulho.
Tu nos dá parte de ti,
pois quando estamos
em ti é sempre o teu
melhor que levamos.

El mar
Otro tiempo... otro mar... una isla... la imagen de un hombre...

O mar e o homem
Em outro mar, talvez,
do outro lado do mundo,
alguém ainda pise,
descalço, a areia de uma
praia de pescadores.
Talvez seus pés ainda
se misturem com a areia
da praia, talvez ainda
estejam fincados na
sua terra. Ele, que já
foi chamado de
viajero inmóvil,
está lá, rondando
a velha casa, assistindo
o inexorável movimento
do mar.

Ode à Lágrima

Um dia acordei com vontade de escrever algo diferente de tudo que eu escrevera até aquele dia. Pensei em escrever algo de grande extensão. Pensei então em uma ode: nada mais livre e de maior fluidez do que uma ode. Assim nasceu o texto.




ODE À LÁGRIMA

Para a furtiva que
se escapa
de seus olhos
dedico estas
palavras. Ao puro
rio que transcende
seu corpo
brotando de sua visão
para que nossas vistas
vejam seu
ímpeto.

Tão límpida é
a água de suas
nascentes a
ponto de limpar
não só a seu
corpo como ao meu,
fatigado, e
também a
minha alma.
Suas cascatas
limpariam as
manchas
e redimiriam
as imperfeições
dos mundos.

A maior parte
do corpo:
água.
A parte maior
do mundo:
água.
Tua parte principal:
amor.
Amor intrínseco
ao elemento que
perpetuas.
De ti saem
as lágrimas
da vida:
originam
novos seres
e restabelecem
ordens naturais.

Escapa
mais outra.
Pequena, ágil
vai correndo
por sobre a
fronte,
ultrapassa
a divisa
do pescoço
e desliza
por sobre
o macio
colo. O
mundo está
presente na
viagem deste
pequeno
átomo em
sua cruzada
pelo
oásis
moreno
de teu
corpo.

Não a
derrames
por mim.
Que suas
lágrimas não
semeiem a
terra por
minha causa.

Mínima
unidade
transbordante
de força,
lágrima de
amor, lágrima
do meu amor,
renove a
cada gota a
força de minha amada.
Ajude, sagrado
líquido vital,
a perpetuar
suas virtudes,
preserve o
poder de seu
caráter: sustenha
o amor de
que é formada.

Invocação ao poeta

INVOCAÇÃO AO POETA

Dou-te a mão poeta:
Ajude um simples leitor
a ser contemplado com a força macrocósmica
do poema como forma de amor,
como forma de alento aos
sentimentos do homem.

Que eu tenha a sua consciência paradoxal:
A que concentra, ao mesmo tempo,
a dicotomia da leveza e da intensidade,
do amor e da luta,
do nascimento e da guerra,
do ápice e da consumação.

Assim componho meu humilde canto:
Para tanto, recolho pequenos fragmentos
de minha identidade e pequenas lembranças
de minha amada. Ela também, por vezes,
mostra-se ausente e seus olhos também
parecem voar pelo ar.

Começo a enunciá-la:
Seus cabelos negros, sua pele
morena, pele da cor da minha terra.
Seus olhos – muitas vezes marejados –
estão sempre a cercar-me com
suas preocupações, com seus cuidados.

A sombra dela vigia por mim:
Ao me observar, observas a si própria, pois
sei que tu já sou eu e que eu sou,
certamente, parte de ti. Pensamos
de forma igual, mas também diversa
(somos partes diferentes de um mesmo todo).

Meu singelo pedido:
Que ela permaneça em mim,
ainda que um dia se vá. Ainda que
o tempo afaste, ainda que a memória falte.
Porque o livro está escrito e
os livros se escrevem com beijos
*.

* Tradução de um verso de Pablo Neruda.

Mulher

O Dia das Mães vem aí. Nunca escrevi nenhum poema para as mães ou para a minha mãe em específico - acho até que sou muito relaxado já que minha mãe merecia algo do gênero. Já escrevi uma crônica, mas não me lembro de nenhum poema. No ano passado, escrevi um haicai para outra data comemorativa envolvendo o sexo feminino: O Dia Internacional da Mulher.

Imprimi o poema e entreguei como uma pequena homenagem para as mulheres que conheço:


Mulher, primavera do mundo,
és um turbilhão de estações
ao longo de um mesmo dia
.

Mais Esdrúxulos

Estou postando mais alguns esdrúxulos. Espero que gostem...



Política 1

Cédula trágica:
ESCÂNDALO POLÍTICO!
Réplica: rápida.


Política 2

Máquina pública:
REPÚBLICA POLÊMICA!
Tréplica: crédula.

Esdrúxulos

Sempre gostei muito de haicais e algum tempo atrás tive uma ideia: escrever alguns com uma forma renovada, assim nasceram os esdrúxulos.

Os esdrúxulos são haicais formados por palavras esdrúxulas (proparoxítonas). Procuro sempre manter esta regra e gerar o máximo de sentido com as poucas palavras que posso usar nestes textos - apesar de brincar com a métrica dos poemas e não manter a métrica original dos haicais.

Aqui estão os primeiros exemplos de esdrúxulos:


Esdrúxulo Inicial
Proparoxítono:
esdrúxulo vocábulo,
métrica mágica.


Sem título
Espírito exótico?
íntimo... ínfimo?!?
erótico... neurótico?!?


Polítropo (ODISSEIA IX)
Cíclope mitológico:
Anônimo célebre:
antítese helênica.

Dois poemas

Olá,

Vou postar mais dois poemas: um poema concreto que tinha postado no antigo blog e um outro poema - já antigo, mas que não foi postado. Obrigado.



Morte

MEMÓRIA MEMÓRIA MEMÓRIA MEMÓRIA
MEMORIA MEMORIA MEMORIA MEMORIA
MEMÓRIA MEMÓRIA MEMÓRIA MEMORIA


Para odes

Quando nasci, meu pai,
homem vivido,
disse: Vai, filho! Vai ser homem na vida.
Ser homem é fácil,
difícil mesmo é ser cidadão.

« « « « « «

Minha terra tem abrigos
Onde muitos moram lá
Por não ter como viver
Por não ter onde morar.

Minha terra tem condomínios
Onde alguns se escondem lá
Da violência da minha terra
E não voltam para cá.

« « « « « «

Eu, pobre e sem nome de batismo,
exemplo de desemprego e ignorância
sofro, desde o começo da minha infância,
a má influência dos ditos do Capitalismo.

Primeiro poema

Olá,

Vou começar a postar meus poemas, espero que gostem:


PEQUENA HISTÓRIA DE PABLO NERUDA

Infância

forma de
ferro do
ferreiro:
ferrovia. A
ferrovia fere a
floresta. O
ferroviário fere a
família. O
ferroviário fere os
filhos...
fere o filho.

Juventude

símbolo do poeta:
signo.
simbolista ou pós-
simbolista o poeta
segue a
sina, poeta – ainda pueril –
sangue novo,
sai do lar,
sul chuvoso, para a
selva do Oriente.

Guerra

lava o sangue na
luz do poeta,
lava na luz de
Lorca.

liberto da vida,
Lorca vê a
lua... e se i
lumina.

Andes

cavalga.
cavalga que
cada um dos
cavalos que
cavalga vira
canto, vira verso.

Matilde

Matilde minha,
mulher mar,
mostra a pequena
mão e molha
meus beijos
.”

Finício

Abriu os olhos para o que é eterno...




Abertura e Explicações iniciais

Olá pessoal,

Há algum tempo tive a ideia de escrever um blog postando alguns poemas que faço de quando em quando. Montei o blog, mas ele foi extinto porque a minha internet lenta e a falta de tempo me deixaram desestimulado. Estou retomando este projeto pessoal com novo fôlego e espero que gostem do conteúdo do blog. Um abraço a todos.


Explicação rápida sobre o título do blog
"Así la poesía no habrá cantado en vano" é a última frase do discurso de agradecimento do poeta chileno Pablo Neruda quando recebeu o Prêmio Nobel de Literatura. Gosto muito da obra de Neruda e esta frase é muito importante. O endereço do blog "há poesia em cada dia" reflete como o poeta consegue enxergar a beleza nas ações cotidianas que realizamos sem tomarmos consciência de suas particularidades.

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